domingo, 22 de junho de 2014

A revolta dos triângulos.

Na terra dos triângulos, os triângulos Mikhail e Ernesto, membros do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal, após anos de aulas assistidas e de leituras(mais aulas assistidas do que leituras) de filósofos desconstrucionistas e da Escola de Frankfurt e, após perceberem que os triângulos escalenos, isósceles, equiláteros, retos e agudos, todos(!) eles possuem três lados, tiveram uma brilhante ideia, fazer uma tese de doutorado com, basicamente, a seguinte linha de raciocínio: "Quem é que eles, os capitalistas opressores, pensam que são para determinar que todos triângulos são, todos eles, obrigados a ter três lados? Eles é que devem decidir, baseado na autonomia dos direitos humanos, quantos lados devem ter, com base no caso concreto, se querem ter três lado, quatro, dois, cinco, dez, vinte, trinta.", pois eles haviam ficados ofendidos com o fato de um triângulo ser obrigado a ter três lados, já que a verdade é relativa.

Após quase 7 anos de intenso trabalho, a tese de quarenta e três páginas da dupla ficou pronto, cheio de citações de baluartes do relativismo como Derrida, Foucault, Luís Roberto Barroso, Habermas, Adorno, Horkheimer, Lukács, Fromm, Sartre, Chomsky, Hobsbawn, Galeano, Chauí, Sader, Marcuse, Althusser, Gramsci, Zizek e outros autores progressistas menos conhecidos. 

Pronto. Com isso, obtiveram os graus de doutores na referida universidade. Não foi só isso, obtiveram também financiamento da multibilionária Fundação Smith, norte-americana, e fundaram uma ONG para promoção de combate às desigualdades socioculturais.

Feito isso, resolveram pleitear, junto ao Ministério da Educação e Cultura, fomento governamental para sua ONG. Após parecer favorável de um renomado professor doutor da Universidade Pública da Capital da Terra dos Triângulos, amigo do orientador deles em seus doutorados, conseguiram rapidamente o incentivo de R$ 12.000,00 por mês. Já contavam com financiamento estatal, do Ministério da Educação e da Cultura, bem como da renomada Fundação Smith, da bilionária família norte-americana Smith.

Com o passar do tempo, começaram a dar aula como professores titulares na Universidade Federal, aceitaram para serem seus bolsistas na linha de pesquisa, que também contavam com excepcional verba governamental, somente alunos membros do DCE ou da União Nacional dos Estudantes. 

Lá dentro, tiveram a ideia brilhante de organizar uma manifestação, com o intento de promover sua tese de doutorado. Para tal pediram para os seus bolsistas irem dar palestras nas escolas públicas da periferia, onde estudam os triângulos pobres, com a finalidade de mostrar-lhes que, eles vêm sendo explorados e seu potencial intrínseco diminuído. 

Disseram-lhes, também, que estão sendo tratados como a humanidade o fora no Jardim do Éden: estavam presos e escravizados por Deus, pela natureza. Que na verdade eles precisam sair do Jardim do Éden("Liberdade"), e assim serão livres para brilhar todo o seu potencial e serem praticamente iguais a deuses("Igualdade") e já deixaram folhetos com todos os dados da ONG, convidando os alunos para cursos e palestras, para eles saberem como funciona a ONG e fazerem parte da irmandade("Fraternidade").

Mas a ideia principal, especificamente e a curto prazo, era aproveitar as manifestações que estavam ocorrendo na cidade e juntar uns 100 triângulos para difundir as ideias dos doutores Mikhail e Ernesto acerca do fato de que os triângulos não necessariamente precisam ter três lados, e, para tal, levarem cartazes com os seguintes dizeres: "Meu corpo, minhas regras!" ou "Fora Euclides de Alexandria, opressor!".






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